COLABORE COM O PEQUENO COTOLENGO

Lembranças

30/12/2016
História

O Pequeno Cotolengo existe graças ao trabalho de voluntários e colaboradores, mas também graças a ação dos religiosos Orionitas que dirigem a instituição. Muitos padres já passaram pelo desafio que é estar a frente dessa obra, um deles é o padre José Da Boit que dirigiu o Pequeno Cotolengo de 1988 a 1991.

Tudo começou no ano de 1987. Já faziam 11 anos que o padre Da Boit estava trabalhando em Guararapes no Colégio dos Padres como promotor vocacional e também como responsável pela obra que acolhia um grupo de crianças e jovens da antiga FEBEM, quando recebeu uma ligação do Pe. Augusto Viana, o provincial da época. O telefonema informava que Da Boit deveria vir a Curitiba para participar da reunião com os voluntários sobre o churrasco do Pequeno Cotolengo. Quando questionou o porquê precisaria participar dessa reunião, ele recebeu a resposta: “Você não sabe que é o novo diretor dessa maravilhosa obra?”. E foi assim que o padre recebeu a notícia que deveria mudar-se para Curitiba e iniciar seus trabalhos na direção da instituição. “Era um grande desafio, pois eu era padre novo e o meu trabalho até aquele momento tinha sido só com formação. Não sabia como tocar uma obra tão grandiosa” conta Da Boit.

O primeiro contato com os moradores foi uma surpresa. O padre que nunca antes havia trabalhado com pessoas com deficiências e não sabia ao certo o que esperar, se sentiu logo acolhido com carinho por seus novos filhos e patrões. “Ver todas aquelas pessoas com problemas sérios e sem nenhuma família olhando para mim como se me pedissem apenas um tempinho para elas, um abraço, um sorriso e uma presença ao seu lado. Tudo o que eu fazia para elas, retornava para mim. Foi um amor à primeira vista e que dura até hoje”.

Nessa época eram aproximadamente 150 internos e 100 funcionários. Grandes marcos fizeram parte da gestão, mudanças conquistadas nos anos em que o padre foi diretor da instituição e que foram de extrema importância para o crescimento do Pequeno Cotolengo. Entre eles pode-se destacar as mudanças na área da educação com a nova parceria com a Secretaria do Estado da Educação que permitiu a contratação de vários novos professores, a ampliação do salão do churrasco e a construção de mais um anexo de moradia para as crianças. A grande realização que Da Boit considera o maior marco durante sua passagem pela entidade, foi o início da construção do Centro de Reabilitação e Residência dos Religiosos.

Sobre a forma de trabalho o padre lembra com saudade dos colegas: “Nós tínhamos uma equipe de coordenação muito unida, comprometida e participativa. Os passos e as decisões mais importantes da obra eram tomadas sempre em conjunto”. Da Boit também destaca a importância dos voluntários para o funcionamento da instituição. “São centenas de pessoas que impressionam pelo amor à obra, pela dedicação, pelo entusiasmo, pelo compromisso e pela responsabilidade. A grande convicção e a certeza que os propulsiona é que tudo aquilo está sendo feito por causa e em prol daquelas crianças ali acolhidas”, defende.

Quando questionado sobre as melhores lembranças do Pequeno Cotolengo, o Padre responde sem precisar pensar duas vezes: “Minhas melhores lembranças e maiores saudades são as moradoras” e cita duas em especial que deixaram profundas marcas na sua memória: “Uma delas é a Cleuzinha que eu chamava de menina e ela dizia ‘Menina não!’ Ela tinha dificuldades para se locomover, mas mesmo assim, todos os dias ia uma ou duas vezes até o meu escritório e ficava lá por muito tempo. Eu sempre brincava com ela e ela me abraçava e me dava um beijinho nos ombros. Depois dando um tchauzinho voltava para junto das colegas. Outra que me marcou muito é a Madalena. Ela não falava nada quando a conheci. Depois de um bom tempo ela começou a soltar as primeiras palavras. A primeira vez que eu voltei ao Cotolengo depois da morte da Cleuzinha, quando a Madalena me viu, veio correndo e falou: “A menina está no céu” e apontou para o céu. Aquilo me comoveu e me marcou profundamente”.

Sobre a experiência que viveu nos anos em que esteve na direção da instituição, Pe. José da Boit diz que foi uma acréscimo em sua vida sacerdotal e religiosa, além de mudar sua visão em relação a pessoas com deficiências. “O trabalho no Cotolengo despertou em mim uma nova descoberta e uma visão diferente em relação às pessoas portadoras de necessidades especiais. De um modo geral a sociedade as vê como alguém que quer viver segregado, mas na verdade elas se sentem segregadas por nós, uma vez que na convivência do dia a dia elas demonstram amor, carinho e amabilidade imensuráveis”.

Posts Relacionados

Parceiros Mantenedores